Trabalho Terminado ou O Misterioso Encapuzado

O homem encapuzado acordou e viu um jovem guarda socorrendo o coronel Tiberius. Teleportou-se para fora do forte para não comprometer seu plano. A medida que se afastava pensava no acontecido. Como pudera ser tão confiante e facilmente derrubado por um reles soldado?!Mas aquilo não poderia abatê-lo. O plano deveria seguir seu curso. O fato de não ter conseguido capturar o coronel era apenas um desvio de rota. Ele havia pensado em várias opções caso algo desse errado, e mas essa não foi vislumbrada. Precisava pensar em um tipo de ação e rápido.

Buscou abrigo na escuridão da noite, não por temer os frágeis soldados, mas para pensar. Sentou-se no alto de uma montanha e esperou pela jogada de seus adversários, como em um jogo de xadrez.

Observou do alto toda a movimentação no forte desde a madrugada até o raiar do dia. Soldados andavam para lá e para cá como que atordoados por sua “invasão”. Viu quando alguns soldados reuniram-se em um destacamento e sairam às pressas pela estrada principal.

Ele sabia que aquele era o momento para agir. Era previsível que o coronel tentasse mandar algum aviso aos seus superiores sobre o repentino ataque. Esperou até o destacamento quase sumir no horizonte e saiu atrás deles. Sua rota era uma só… Dembolat. Precisava detê-los em algum ponto antes da cidade. Lembrou-se então do posto avançado no meio do caminho. Lá seria o local perfeito para um ataque.

O grupo chegou ao posto avançado no fim da tarde e foram recebidos pelos soldados que guardavam o local. Do alto, o homem encapuzado reconheceu o soldado que o havia nocauteado. Riu por dentro, feliz com aquele resultado. Teria sua vingança!!

O encapuzado esperou o anoitecer e sentou-se no meio da campina. Seus olhos tornaram-se opacos e sem vida à medida que ele proferia palavras de uma antiga magia. Um brilho suave percorria suas mãos e braços como uma serpente, que rodeu seu corpo e subiu no ar até que desapareceu . E veio um silêncio inquietante e anormal. Não se ouvia qualquer som, nem mesmo o barulho dos grilos. Então, uma enorme esfera negra formou-se no ar, próximo ao posto. Escura demais para ser vista na escuridão.

O “homem” levantou-se sem esperar o término de seu encantamento. Já o havia feito diversas vezes e seu resultado era sempre mortal. Alçou voo sem olhar para o posto ou para os soldados que ficaram para trás. Sua risada maléfica perdeu-se em meio aos gritos dos soldados que preencheu o silêncio da noite.

Precisava agora terminar o que havia começado. Voou de volta para a montanha próxima ao forte e lá começou seu ritual. Tirou de seu cinto um saco com um punhado de areia negra que derramou sobre o chão. Desenhou com os dedos alguns simbolos. Simbolos somente reconhecíveis por magos experientes, pois eram em uma língua perdida, de um povo sombrio e maligno, extinto a séculos que andava pelos caminhos demoníacos. Com um suave balançar das mãos sobre a areia, esta começou a se mexer, levantando-se até formar uma réplica miniaturizada do forte.  Mais uma vez seus olhos tornaram-se opacos e sem vida à medida que repetia as palavras mágicas. Um brilho suave percorreu suas mãos e braços novamente seguidos do silêncio inquietante e anormal. E então veio a esfera negra, novamente, no ar, só que desta vez acima do forte.

Os soldados que estavam de guarda olharam horrorizados para aquela enorme esfera. Alguns corriam assustados enquanto outros ficaram parados sem reação. De repente a enorme bola se abriu e de seu interior veio a imagem do próprio inferno.  Soldados corriam em agonia ardendo em chamas,  apenas para terem suas vidas ceifadas por criaturas horripilantes nunca antes vistas neste mundo. As chamas alastravam-se pelo forte consumindo tudo.

De dentro do forte o coronel saiu tentando por alguma ordem em todo aquele caos, mas ninguém conseguia ouví-lo. Várias criaturas cercaram-no e ele sacou sua espada. Lutando ferrenhamente o velho homem da guerra conseguia segurar-se à sua força de vontade, mas à medida que seus homens sucumbiam, um a um, àquela enxurrada de monstros, viu sua esperança desfazer-se.

O encapuzado ficou admirado com aquele valoroso guerreiro, mas não podia deixá-lo atrapalhar seus planos. Com um novo movimento de mão, saiu da esfera uma criatura de fogo e lava, com enormes garras e presas.

A criatura olhou para o coronel Tiberius e soltou um grunhido. Os olhos do velho combatente se encheram de horror ao ver aquele pesadelo vivo. Reunindo suas forças, ele  correu em direção à criatura desferindo um golpe certeiro com sua espada que enterrou na barriga do monstro. Um segundo de silêncio e a criatura soltou uma sonora gargalhada enquanto a espada derretia nas mãos de Tiberius que gritava em agonia. A criatura agarrou o velho homem que gritava ao ser queimado pelo seu toque incandescente. Até que a morte o tomou para si.

O encapuzado esticou a mão em direção à maquete do Forte e a esmagou com os punhos. No mesmo instante o forte foi caindo em pedaços, exatamente como sua miniatura.

 Com os soldados mortos e o coronel Tiberius fora do caminho, o plano continuava seguindo seu curso. O “homem” olhou para trás mais uma vez e sorriu ao ver o Forte destruído.

Seu trabalho aqui estava concluído.

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