O Inicio do Fim?!

Yuran chegou à pequena Theltion após seis meses viajando pela rota dos mercadores. Era sua segunda viagem fazendo entregas desde sua decisão em se tornar mercador. Com suas economias comprou um cavalo, uma pequena charrete e vários artigos desde temperos até poções, para que pudesse vender ou trocar em todo o reinado. Sua mãe tentara demovê-lo daquela idéia, dizendo o quão perigosos eram os caminhos com ladrões e bandoleiros, ainda mais agora que a guerra havia alcançado o interior da grande muralha. Mas ele era obstinado e queria mudar de vida, estava cansado de ser um pastor de ovelhas.
 
Como era noite e estava muito cansado, procurou a primeira estalagem onde pudesse descansar e tirar toda aquela sujeira que se acumulara. Foi para o quarto, banhou-se e, como não conseguia dormir, resolveu descer para o bar e beber um pouco. Duas canecas de Hidromel sempre traziam o sono.
 

imagem de Claudio Pozas

Procurou uma mesa num canto, mas perto o suficiente dos outros clientes onde ele pudesse escutar o bate-papo e talvez alguma notícia sobre a guerra. Ele estava mais tranquilo agora que a batalha havia ficado para trás. Chegar a Theltion após  quase morrer em um ataque de goblins no lado humano da grande muralha, provavelmente fugidos de alguma batalha no norte, fez com que ele se sentisse mais calmo.
 
Pediu uma caneca ao estalajadeiro e foi bebericando e olhando discretamente ao redor tentando procurar alguma conversa que valesse a pena. Um grupo de aldeões conversava sobre o velho Borak, cuja colheita havia sido perdida na última tempestade.
Outro grupo, que parecia ser de viajantes, conversava sobre a estranha cratera que encontraram na estrada ao sul. Toda a vegetação havia desaparecido em uma grande área sem sinal aparente. Não se via vida em lugar algum. Conversavam tambémsobre os estranhos relatos de criaturas infernais que aterrorizavam a população da cidade vizinha, Kambe.
Yuran interessou-se pelo fato e voltou toda sua atenção para o grupo, tentando ouvir mais. Porém uns rapazes de uma mesa vizinha começaram a cantar e a fazer barulho, impedindo-o de escutar a conversa.
Terminou de beber a primeira bebida e logo pediu a segunda. Como aquela cantoria não lhe permitia ouvir mais nada, percorreu o salão com os olhos absorto em seus pensamentos. Lembrou-se do ataque sofrido durante sua passagem pelas planícies brancas, e de como tinha sido burro ao afastar-se da estrada para passar perto do templo abandonado, que pensou tratar-se de um excelente refúgio. Os goblinóides haviam pensado a mesma coisa e quase o pegaram desprevenido, não fosse pelo calafrio que percorreu sua espinha. Yuran se perguntava se havia sido sorte ou a intervenção de alguma divindade que o tirou daquela enrascada.
 
Mal terminara a segunda caneca, e o sono veio, pesado como um ogro. Preparou-se para levantar, mas parou com o silêncio que se instalou no salão. Ele estava tão cansado que não havia notado o rapaz sujo de sangue que acabara de entrar. Todas as pessoas no bar olhavam sem entender o que havia acontecido com o jovem quase morto. O olhar sem vida do rapaz assustava Yuran. Quando a boca do rapaz se mexeu deixando escapar sua voz quase sussurrada dizendo repetidas vezes que “eles” haviam matado todo mundo, um novo calafrio percorreu a espinha do jovem mercador. Logo ele lembrou-se da sensação antes do ataque dos goblins.
 
Yuran sabia que aquilo só poderia significar uma coisa: encrenca! Mas ele nem teve tempo de esboçar qualquer reação, a parede ao seu lado veio abaixo soterrando-o… 
 
 
 
 
Yuran acordou com o sol batendo em seu rosto. Ao seu redor só se viam escombros e restos ensanguentados dos que estavam na taverna. Apavorado, tentou se mexer mas viu que estava coberto por escombros da cintura para baixo. A dor em suas pernas era grande mas ele sentiu que não havia nada quebrado. Com um grande esforço, conseguiu se arrastar para fora de sua prisão e olhar o cenário devastado. Nunca em sua vida ele havia visto nada tão sinistro, nem mesmo quando passou perto dos campos de batalha.
A cidade encontrava-se completamente destruída, pedaços de corpos estavam por todos os lados com marcas de mordida, um fedor horroroso tomou conta do local e um silêncio sepulcral pairava.
 
Sem entender ou lembrar o que tinha acontecido, só uma única certeza vinha à mente do rapaz. Ele tinha que sair dali, e rápido. Ele precisava avisar as forças humanas de que uma grande e nova ameaça pairava sobre eles.

O pesadelo havia realmente começado!!!!